Uma delicada constelação familiar
- Aniuska VAN HELDEN

- 12 de jan.
- 2 min de leitura
Resenha da Semana

Ainda não consegui ler um novo livro depois de “Uma delicada coleção de ausências” (Ed. Companhia das Letras), da escritora Aline Bei. Porque ainda estou digerindo. Residual, o romance traz a história de três mulheres comuns, mas muito especiais com seus incríveis poderes das repetições familiares. As raízes elevam suas crenças, medos e boas sortes por meio de um fio condutor que atravessa gerações e gerações até ser cortado. Aline Bei consegue transformar as neuroses familiares de repetições em um romance petrificante. Duvido ficar alheio aos movimentos do destino quando se lê este livro. Pra mim, o melhor dela até agora.
Acontecimentos, perdas, profissões, lutos são repetidos nas melhores famílias e nas piores também. E ausências, estas podem ser definidas já no útero. Eu sou assim, você será assim e todas as outras que vierem serão assim.
De certa forma, a escritora consegue abordar a vida sistêmica sem deixar de narrar corpos e sentimentos puramente e excepcionalmente femininos. As relações de filhas e mães, avó e neta. Os silêncios que separam estas gerações, o que nunca foi dito, nem discutido, mas sempre ficou em todas elas. Uma menina que vive com a avó, pois a mãe fugiu. O avô era o palhaço do circo. Aliás o livro inicia em um circo.
E o abandono, as fugas, os desejos e as perversidades. Tudo escrito de uma forma que parece balançar ao vento. Os parágrafos são desencontrados e parece estarmos lendo poemas. Na verdade, estamos, Aline é prosa-poesia.
Um romance delicado, confrontado com as ausências sentidas pelas personagens, Laura, Glória, Felipa, Jordana…e que traz no silêncio delas a presença intrigante de um homem que as fazem repetir, repetir, repetir…
Agora que escrevi consegui elaborar e iniciarei o “A vida mentirosa dos adultos”, Elena Ferrante. Logo trago a resenha.




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